sexta-feira, 2 de julho de 2010

A casa da Mariquinhas

A casa da mariquinhas
Era só cangalhada
O tecto estava a cair
A casa foi derrobada

A porta sem fechadura
A janela sem vidraça
Aquilo era uma desgraça
Com tanta sucata á mistura
Uma foto sem moldura
O soalho sem tabuinhas
O chão era de pedrinhas
Lá tinha um velho tapete
Para ela era um palacete
A casa da mariquinhas

Com cacos por todo o lado
Móveis sem parteleiras
Havia duas cadeiras
E um banco descolado
Janela sem cortinado
Tudo não valia nada
Só havia uma almofada
Uma panela e dois pratos
Pendurado três farrapos
Era só cangalhada

Casa de banho sem sanita
Também não tinha bidé
Faltava um rodapé
O toalheiro era uma ripa
Quando se viu aflita
À Câmara chegou a ir
Fartou-se de andar a pedir
A quem lhe desse a mão
Já não tem solução
O tecto estava a cair

O quarto era pequeno
A cama era no chão
Havia um velho colchão
Cheio de palha e feno
Não dormia no sereno
Sentia-se aconchegada
Já estava conformada
Que a casa ia demolir
Já não tem onde dormir
A casa foi derrobada

Autor Jaime S. Guerreiro

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