Sou um pobre vagabundo
Vivo no bairro da lata
Ainda não vi neste mundo
Um bairro com tanta sucata
Eu durmo ao relento
Coberto com um papelão
Para mim o melhor tempo
É este agora no verão
Eu passo alguma fome
Porque não quero trabalhar
Porque essa vida me consome
Só me apetece descansar
Não olhes para o que eu faço
Nesta vida desgraçada
Eu ando sempre descalço
E de camisa rasgaada
Tomo banho no inverno
Só quando está a chover
A água fria é um inferno
Vagabundo tem que sofrer
Quando encontro uma carcaça
Revolto o caixote do lixo
Escolho o arroz e massa
E muita fruta com bicho
Peço esmola a uma moça nova
Responde-me toda zangada
Queres o dinheiro para a droga
Vira as costas e não dá nada
Roupa não posso comprar
Porque não tenho capital
Porque me hei-de a ralar
Se há tanta no estendal
Camisas novas apanho
E calças das mais modernas
Nunca olho ao tamanho
Algumas largas nas pernas
Não quero ter mulher
Dela sou oriundo
De serteza ela não quer
Ter mais um vagabundo
Autor JSGuerreiro
domingo, 20 de junho de 2010
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